De repente ela se via sentada naquela pedra
Aquela mesma pedra que testemunhara
Seu lamento mais persistente
Sua carência mais latente
Seu desejo mais íntimo
Seu pulsar mais forte
Ela ali estava
Com sua memória tão viva
Tão alarmante e desejante
Passado e presente confundiam-se
Novamente...
Aquela Flor quisera arder na vermelhidão
Daquela textura macia, sedosa, apreciada
Ardentemente desejada...
Queria cheirá-la, acariciá-la
Lambê-la, degustá-la,
Envolvê-la em afagos
Como nunca fora envolvida...
Aquela Flor rosa se confundira com a vermelha
E a vermelhidão lembrara a serpente venenosa
A maçã delíciosa daquela
Árvore graciosa
De delícias em delícias elas se entrelaçaram
Na ânsia do apetite inesgotável
Foram então, duas flores vermelhas
Duas flores vermelhas sorridentes...
Até que, de repente, alguém à toca
Arrancando-a da sua memória daquilo que não fora.
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